Estrutura do Rito
A Fonte dos Altos Graus
Ninguém nunca saberá a origem exata dos altos graus maçônicos. Eles foram, certamente, fixados no século XVIII, seguindo os caminhos da Franco-Maçonaria especulativa, mas, como veremos mais adiante, eles se ligam a correntes muito mais antigas. Se o "olhar esotérico", ao interrogar os mistérios da alma e do universo para além das verdades religiosas oficiais, sempre existiu, não é indiferente recordar que no Ocidente ele floresceu realmente com o Humanismo e a Renascença. Desde os primeiros anos do século XVI, formaram-se na França e na Itália círculos que estudavam o Neoplatonismo, o Hermetismo, a Cabala e até mesmo a "Religião dos Egípcios". Por seu relativismo, seu interesse pelas outras formas de espiritualidade e sua confiança na riqueza insondável do homem, esta busca verdadeiramente iniciática aparece inseparável de uma perspectiva Humanista. Assim, quando o clima e a conjuntura política não permitiram mais a livre expressão, esses círculos, que é preciso qualificar como iniciáticos, refugiaram-se no segredo. Após o Hermetismo da Renascença, um outro ciclo se desenvolveu no século XVII com o movimento da Rosa-Cruz que, a partir da Alemanha, alcançou a França e a Inglaterra. No início do século XVIII, essas correntes se desenvolveram em grupos mais ocultos e também na Franco-Maçonaria nascente, que ofereceu uma estrutura um pouco mais exterior, particularmente bem adaptada.
A Passagem pelo Rito Egípcio
A criação dos altos graus é apenas uma formalização maçônica dos ensinamentos e das práticas desses círculos iniciáticos que sobreviviam, mais ou menos subterraneamente, há vários séculos. O ambiente liberal do Iluminismo permitiu uma forte difusão da Franco-Maçonaria e, em seu caminho, uma multiplicação e um verdadeiro entusiasmo pelos Altos Graus. Mas este entusiasmo foi acompanhado por uma incontestável confusão. No último terço do século XVIII, uma preocupação com o esclarecimento levou a organizar os altos graus em ritos que apresentavam um certo número de características próprias e uma escala específica de graus: o Rito de Perfeição no final dos anos 1760 (tornado em 1801-1804 o Rito Escocês Antigo e Aceito), o Rito Escocês Retificado em 1782 e o Rito Francês em 1784. A constituição desses ritos permitiu ordenar a maioria dos altos graus então praticados. Alguns, no entanto, não haviam sido levados em conta nessas reformas; tratavam-se de graus ou de pequenos sistemas maçônicos com fortes conotações esotéricas. É, provavelmente, essa a origem da formação do Rito de Memphis no ambiente de "Retorno ao Egito" desde os primórdios do século XVIII. Com uma escala impressionante de graus, o Rito de Memphis deu lugar a muitos graus esquecidos pelos outros ritos. Implantado em Montauban em 1815, o Rito conheceu uma época cheia de agitações, de cisões e de avanços ao longo de todo o século XIX. Uma parte dos dignitários do Rito formou o Rito de Memphis. À semelhança de seus predecessores da Renascença, o engajamento de certos membros pelos valores humanistas de Liberdade, Igualdade e Fraternidade contribuiu para suas confusões com a polícia, o que causou sua constante proibição. Paralelamente, ele sempre foi uma encruzilhada onde se encontraram os Franco-Maçons interessados pelos estudos esotéricos e pela busca iniciática.
Os Altos Graus Herméticos da Franco Maçonaria
Uma das características do Rito Egípcio é ter sido, a partir de um único patrimônio simbólico e ritualístico, organizado com modalidades diferentes, segundo os lugares e as épocas. A escolha do Soberano Santuário do Brasil foi praticar os Altos Graus segundo a escala que havia sido definida por John Yarker. É nessas formas tradicionais que os Irmãos Fundadores do Soberano Santuário do Brasil receberam as suas iniciações e as transmitem. Um dos pontos notáveis desse sistema é entregar o ensinamento no quadro de uma escala de 95 graus:
lista de graus